Outubro Rosa e saúde das mulheres com deficiência

Outubro rosa é o nome dado para uma campanha internacional para a conscientização do câncer de mama.

* Por Jaci Guimarães

Saúde pública e mulheres com deficiência

O sistema único de saúde (SUS) foi uma conquista para os brasileiros, inclusive serviu de modelo para outros países, porém, devido ao mau gerenciamento e falta de verbas o atendimento tem deixado a desejar, falta médicos, a espera é demasiada grande para consultas e falta equipamentos para exames.
São muitos os desafios para que as mulheres consigam um atendimento de qualidade e para mulheres com deficiência além destes desafios, o que mais impede que ela mantenha a saúde em dia é o descaso com a acessibilidade.

Os médicos e profissionais de saúde não estão preparados para atender mulheres com deficiência.

Já sobre acessibilidade, pesquisas mostram que nas clínicas e hospitais, 50% das mulheres já deixaram de fazer exames, pois o local ou equipamentos não eram acessíveis. Entre os relatos, estão falta de macas acessíveis e equipamentos de mamografia para mulheres cadeirantes ou de baixa estatura. Muitas mulheres com deficiência informaram que já tiveram a saúde afetada por não realizar os exames.

Mesmo a Lei Brasileira garantindo o acesso à saúde para todas as pessoas com deficiência, (Art. 18. É assegurada atenção integral à saúde da pessoa com deficiência em todos os níveis de complexidade, por intermédio do SUS, garantido acesso universal e igualitário), há muito o que fazer, começando pela convivência familiar, muitas não se sentem confortáveis para falar sobre vida sexual com sua família, muitas vezes por superproteção ou por duvidar da capacidade da pessoa com deficiência de ter uma vida social de se relacionar com outras pessoas. Passando por médicos que muito provavelmente não tiveram a oportunidade de conviver com pessoas com deficiência e no momento do atendimento não sabem como fazer, e ainda os locais que não são acessíveis, portas de consultórios estreitas, falta de interprete de Libras, falta de equipamentos adequados.

O assunto inclusão é sério e queremos que ele continue em discussão para que as pessoas com deficiência possam ser incluídas com dignidade na sociedade e que possam desfrutar com acessibilidade dos mesmos recursos que as pessoas sem deficiência, quanto mais as pessoas têm acesso a informação, com mais facilidade vamos quebrando as barreiras.

Vamos continuar lutando por um município realmente inclusivo.

 

Rafael Dantas

Editor e fundador do Jornal Contratempo, geógrafo e entusiasta da mídia colaborativa.

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