Destino é sonho e combate

Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração cresce dez metros e explode.
– Ó vida futura! nós te criaremos.
Carlos Drummond de Andrade – Mundo Grande

E o novo sempre vem, não só cantado pela eterna Elis Regina, mas como dinâmica da própria vida. Porque a história da humanidade não é feita só de mentiras, horror e violência, como quer o show fascista. Nós também criamos o que ainda não existe, a poesia e as formas de liquidar o fascismo.
É com o pulmão renovado de esperança que tomo fôlego, parece que estamos novamente em pé, apesar de carregarmos tantas mortes e também por elas levantamos com dignidade.
Tudo que é novo é e não é ao mesmo tempo. É novo porque se apresenta com forma e conteúdo novo em determinado momento histórico. Ainda assim, não surgiu do nada, surgiu do que já existia antes. A forma como as manifestações do último 29 de maio ocuparam as ruas indica que o negacionismo não venceu triunfante, a cara mais verdadeira e medonha do capitalismo sentiu a pressão da rebeldia da classe trabalhadora, da beleza da força coletiva consciente. Essa beleza é carregada de esperança daquilo que podemos construir para amanhã e para hoje. O conteúdo das manifestações revitaliza os princípios revolucionários, para o terror dos fascistas e dos “políticos” de gabinete.
Quem tem medo da classe trabalhadora protestando na rua? Essa classe nunca saiu dela, mesmo em contexto de pandemia. Agora estão sendo ocupadas não apenas para trabalhar, mas para combater o genocídio executado pelo governo federal. Queremos emprego, vacina no braço e comida no prato. Reivindicações que o capitalismo nunca garantiu a todas as pessoas desde que tomou grande parte do mundo.
O 29m trouxe também para cada um de nós, aquilo que já existe desde a origem do capitalismo, a força da classe trabalhadora em não aceitar a exploração e todas as suas formas de violência. Combatemos bravamente o fascismo desde o início do século passado, inclusive com tropas inteiras lideradas e compostas exclusivamente por mulheres nos campos da segunda guerra mundial. E não só uniformizadas, mas também nas várias organizações de resistência antifascistas.
As muitas formas de repressão e apassivamento da população não podem conter nossa vontade coletiva de vida, por isso, combatemos no passado e no presente, não como repetição linear, mas como necessidade. Já arrancaram de nós muitas flores, no entanto as sementes ainda pulsam. Primavera, nós te criaremos!

Juliana Neves

Escrevo com a intenção de mudar o mundo ofertando a verdade para a sociedade. Mas a luta é diária e constante, realmente, vivendo e aprendendo e tendo o jornalismo como meu aliado.

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