Datafolha revela a força política de Lula

 

Por Luiz Alberto Vieira

Os apressados blogueiros da grande mídia comemoram a pesquisa Datafolha deste domingo que aponta para uma rejeição de 47% a Lula.

Mas uma análise mais cuidadosa mostra exatamente o contrário e ajuda a explicar o porquê das mudanças no cenário político.

Os dados da pesquisa Datafolha foram colhidos exatamente no dia da prisão do Senador Delcidio do Amaral (PT-MS), líder do governo preso com provas chocantes. Ora, desta forma é de se supor que tenha havido um pico de rejeição a Lula, ao governo e ao PT naquele dia.

A despeito do estardalhaço midiático, Lula encontra-se relativamente próximo do limite de viabilidade eleitoral de 40%. De modo geral, candidaturas com mais de 40% de rejeição são inviáveis e abaixo deste patamar são viáveis.

A pesquisa Datafolha também aponta que num eventual segundo turno entre Aécio e Lula, o tucano venceria por 51% a 32%. Assim, para vencer o segundo turno, Lula teria que reverter 10% dos votos de Aécio.

Quem conhece a capacidade de comunicação de Lula, sabe que essas diferenças podem ser revertidas em poucas semanas de horário eleitoral gratuito.

Além disso, não tem sido dada a devida atenção ao fato do senador Aécio Neves ter perdido 4 p.p. dos votos desde junho, o que nas próximas pesquisas poderá se configurar numa tendência de queda. As pesquisas revelam os sentimentos da população e para cada cidadão que explicita esse sentimento, há outros tantos com o mesmo sentimento, mas que ainda não o verbalizam nas pesquisas. Desta forma, é preciso observar se as próximas pesquisas apontarão esta desidratação do potencial de voto de Aécio.

Em Brasília, ainda na semana passada pesquisas dos partidos políticos apontavam para o empate técnico entre Lula e Aécio, com redução da rejeição ao Governo de Dilma abaixo de 60% e aumento do ótimo/bom para 15%. Para corroborar os dados das pesquisas, houve algumas movimentações políticas importantes:

  • PSDB abandona a hipótese do impeachment e deixa Aécio na chuva;
  • Base governista, especialmente o PMDB do senado, começam a se reaproximar do governo e mantém vetos relevantes na pauta bomba e
  • Consolidação de uma posição anti-Cunha, que constituía na grande alternativa de financiamento político.

De qualquer forma, ainda faltam 3 anos para a próximas eleições. Qualquer análise definitiva é precipitada, especialmente para aqueles que sonham em ser os coveiros políticos de Lula.