Mulher

Mulher

O mártir é sempre assassinado por quem o ama.
Vide a sexta feira da paixão.
Uma mulher dessas que faz o que quer,
Sem a chancela de um falo.
Em algum momento,
é sempre chamada de louca,
ou de puta,
as vezes dos dois ao mesmo tempo.

Acho que a ideia de amor foi equivocada,
Entre os homens, os cristãos e certos cineastas,
Tantos buquês sem terra e nem raízes,
Tantos finais de ficção felizes.
São todas meretrizes?
Aquelas, por um mesmo homem a vida toda,
Casa, status e alimento.
São mais dignas que aquelas que cobram à vista,
e voltam sozinhas para seu anonimato?

Acho melhor ser puta e louca
Que ser amada desse jeito.
Meu corpo,
maior termômetro da realidade,
Sente que deve ir.
Se adequar e esperar?
Já tenho o absorvente para isso.

Então,
rasgo as normas burguesas,
centenárias e vivas nos lábios finos
das mulheres honradas que
Ditam às outras mulheres:
Que se prostituam da forma correta!
Arrume um homem de posses.

Me possuir já é o suficiente,
Só me deixarei ir para um dia a terra me levar,
Não sou mártir, não sou vítima,
Meu sangue é vida,
não é chiqueiro,
Meu rosto não vai ser cuspido.
Não sou mártir,
Não sou vítima.
Sou minha própria rainha,
Sem rei, nem coroa de ouro,
Minhas auréolas dos seios,
me bastam.
Meus pelos, meu rosto, meu corpo,
São meu estandarte da natureza feminina.

* DAIANE ALMEIDA É PROFESSORA DE FILOSOFIA E POETA