Ação de Investigação de ‘compra’ de apoio do PRB ao prefeito eleito Lucas Pocay tem Audiência nesta sexta

Nesta sexta-feira, 21, acontece a audiência de instrução (oitiva de testemunhas e depoimento dos investigados) referente a Ação de Investigação Judicial Eleitoral do caso de um áudio que vazou nas redes sociais as vésperas das eleições de 02 de outubro, e que envolvem possível ‘compra’ de apoio do PRB de Ourinhos  ao prefeito eleito Lucas Pocay, em cuja gravação o presidente do PRB Mário Mercante afirma ter recebido o valor de R$ 30 mil para apoiar o então candidato Lucas Pocay, além da promessa de cargos de confiança na secretaria de Serviços Urbanos,  o que configuraria crime eleitoral por abuso de poder econômico, fato que comprovado pode levar a cassação do registro da candidatura de Pocay, como tem acontecido em casos semelhantes, em municípios do estado de São Paulo e outros estados brasileiros.

A ação de investigação deferida pela Justiça Eleitoral de Ourinhos foi aberta após representação da coligação “Mudança para uma Ourinhos Melhor” do candidato a prefeito Mario Ferreira (PT).

O que diz a ação

A reportagem do Contratempo teve acesso a Ação de Investigação Judicial Eleitoral que afirma em um dos trechos que não estamos diante de “simples” compra de voto, o que por si só já é por demasiado grave. Trata-se da compra de um partido político inteiro a fim de se ter apoio político e o mais grave, loteando-se cargos públicos. A investigação é medida que se faz mais do que necessário, se faz essencial. É imperioso a averiguação e investigação pormenorizada de tais fatos que vieram à lume, a fim de que o processo eleitoral não tenha nenhum risco de estar maculado por práticas políticas desleais que vão ao largo dos ímpetos do Estado Democrático de Direito, da justeza, da moralidade, e da Ética.  

 

Presidente do PRB nega acusação

O Contratempo entrou em contato com o presidente do PRB de Ourinhos Mário Mercante (Marinho) que desmentiu que tenha recebido qualquer quantia em dinheiro do candidato Lucas Pocay e voltou a acusar o presidente do Solidariedade Ourinhos, André Paladino pela gravação e edição do áudio e pelo seu vazamento nas redes sociais. “O que aconteceu foi uma má fé do candidato a vereador André Paladino, que fez essa gravação e de forma criminosa editou vários trechos da gravação, cuja reunião aconteceu na sede do sindicato que preside e na presença apenas dele e de uma pessoa ligada a ele. Na verdade estes R$ 30 mil a que se refere o trecho do áudio se trata de um auxílio para gastos com uma assessoria jurídica para a campanha e materiais impressos dos candidatos a vereador. Nesta reunião, o Paladino nos ofereceu uma estrutura maior nestes dois campos, para realizar a campanha, algo que representaria  o valor de R$ 70 mil, para que apoiássemos o Toshio, no entanto, eu recusei a oferta, já que nosso partido já havia fechado acordo com a candidatura de Lucas Pocay há dois anos. Portanto, eu vou processar o Paladino por calúnia, difamação, gravação ilegal e adulteração do seu conteúdo, já que a gravação original, que poderia provar que o que estou dizendo é verdade, foi perdida, segundo alega o Paladino”, contou.

Em relação aos cargos prometidos, o presidente do PRB de Ourinhos disse que não há nada de ilegal nisso e afirmou considerar a troca de apoio por cargos, algo ‘natural’, e não antiético tão pouco imoral. “Isso acontece em todos os lugares do Brasil, é claro que se você dá apoio político, vai querer fazer parte da administração e isso envolve os cargos de confiança, mas quem irá decidir quantas pessoas serão e em quais cargos, será o prefeito eleito, não vamos indicar nenhum nome, nem faremos imposição de cargo ou secretaria”, alegou.

Paladino nega negociação de apoio e gravação de áudio    

Em entrevista ao Contratempo, o presidente do Solidariedade Ourinhos, André Paladino,  desmentiu veementemente a declaração de Mario Mercante (Marinho). “Em relação a declaração do Presidente do PRB de Ourinhos Mário Mercante, que em um áudio vazado na internet, aparece falando sobre o possível acordo em troca de apoio a um candidato a prefeito, tenho a dizer que fui surpreendido com a informação de que este senhor disse que quisemos comprá-lo com uma oferta inescrupulosa. Estamos tomando as providências judiciais necessárias para que haja a devida punição ao autor desta calúnia eleitoral, pois, podemos provar que não fizemos isso”, ressaltou.

Paladino esclareceu ainda que a suposta reunião com Marinho realmente aconteceu, mas para tratar de outro assunto e negou que tivesse gravado qualquer conversa naquele dia. “É importante frisar que a conversa com o Sr. Mario Mercante de fato existiu, aliás, com mais pessoas presentes, que podem confirmar o que eu estou dizendo e inclusive a afirmação deste senhor que eu tinha entregue uma lista com nomes para a Prefeita mandar embora, também é uma grande mentira, jamais aconteceu. Várias outras pessoas, nos disseram ter ouvido da boca do próprio Presidente do PRB de Ourinhos a mesma conversa, isso em lugares e momentos diferentes, sendo assim, acusar alguém sem ter provas é no mínimo leviano! Portanto, quero deixar  bem claro mais uma vez que não foi eu quem gravou e muito menos quem vazou o áudio que vazou nas redes sociais envolvendo o nome do Mário Mercante”, afirmou.

O presidente do Solidariedade Ourinhos, André Paladino