Atleta de Marília conquista medalha de ouro no salto com vara dos Jogos Olímpicos

O atleta de Marília (cidade que fica a 93 km de Ourinhos), Thiago Braz fez história e conquistou a medalha de ouro no salto com vara dos Jogos Olímpicos, na final de segunda-feira (15). O atleta de 22 anos superou o recordista mundial e campeão olímpico de Londres-2012, o francês Renaud Lavillenie.

O feito de Thiago faz com que ele se torne o primeiro brasileiro medalhista de ouro no atletismo masculino desde Joaquim Cruz, que venceu os 800 m em Los Angeles-1984. Além disso, é o primeiro ouro do atletismo brasileiro desde Maurren Maggi, campeã no salto em distância em Pequim-2008.

Thiago saltou 6,03 m em sua segunda tentativa, superando sua melhor marca da carreira, que era de 5,93 m, e quebrando o recorde olímpico que Lavillenie havia estabelecido minutos antes, de 5,98 m. O francês não conseguiu saltar 6,08 m em sua última chance e ficou com a prata. Já o norte-americano Sam Kendricks, que não conseguiu vencer os 5,93 m, ficou com a medalha de bronze.

Lavillenie e Kendricks chegaram à Rio-2016 com as duas melhores marcas do ano: o francês com 5,96 m, e o norte-americano com 5,92 m. Já o terceiro do ranking com a marca de 5,91 m, o canadense Shawn Barber, decepcionou ao não conseguir superar a altura de 5,65 m. Já o recorde mundial segue com Lavillenie: 6,16 m, marca conquistada em 2014.

A conquista

A voz tranquila podia até disfarçar à primeira vista, mas Thiago Braz travava uma guerra constante contra sua mente. Bem antes desta noite, o medo de fracassar vinha sendo a maior armadilha, na qual ele caiu algumas vezes. Mas quis o destino que a confiança viesse no momento e no local certos, justo diante da maior pressão de toda sua vida. Aquele menino inseguro, abandonado na infância pela mãe, acabou acolhido de forma calorosa pela torcida do Engenhão. Foi mágico ver o jovem de Marília superando o sarrafo como se estivesse respondendo a quem duvidou.  Enterrou todos os fantasmas e se reinventou saltando impressionantes 6,03m para levar a medalha de ouro, com direito a novo recorde olímpico.

A conquista teve doses extras de emoção. O ouro só viria se o brasileiro passasse de seis metros, algo que nunca havia alcançado. Mas ele conseguiu ser o primeiro atleta do continente a fazê-lo, na segunda tentativa. Viu o até então campeão olímpico e recordista mundial indoor, o francês Renaud Lavillenie, errar duas vezes os 6,03m e uma os 6,08m, já no tudo ou nada. Sucumbiu com cara de espanto, levou a prata com 5,98m e reclamou das vaias da torcida. O bronze ficou com o americano Sam Kendricks, com 5,85m.

– Agradeço muito a Deus por tudo, por esse momento. É uma oportunidade incrível. As pessoas acreditaram em mim, estavam do meu lado me apoiando. Poder completar uma prova com recorde pessoal e recorde olímpico, ganhando medalha de ouro… É inexplicável – comemorou.

A superação 

O ouro representa o fim de um peso. A pressão parecia um fantasma a acompanhar o brasileiro nas grandes competições. Quando não havia torcida ou câmeras por perto, ele brilhava. Melhorava as próprias marcas, ampliava o recorde sul-americano. Criava expectativa em todos e depois se frustrava. No Pan de Toronto, zerou todos os saltos. No Mundial de Pequim, um mês depois, ficou em apenas 19º lugar e não passou à final. No Mundial indoor de Portland, no início deste ano, acertou apenas um salto e deu adeus precocemente. O próprio Lavillenie colocou em xeque sua capacidade de vencer.
No Rio,o cenário trouxe outras tensões. Antes da prova, um forte vento balançou as bandeiras expostas na cobertura do Engenhão. Após 10 minutos do início da competição, uma pesada chuva tratou de interrompe-la e adiar a final. Como se não bastasse, o equipamento que muda a altura do sarrafo voltou a dar problema, e a prova foi novamente paralisada. Thiago esperou duas horas para dar seu primeiro salto.
Apenas o brasileiro e Renaud Lavillenie descartaram a marca 5,50m. O francês ainda foi além, abriu sua participação somente a 5,75m – passando sem sustos. Thiago iniciou a 5,65m e mostrou alívio ao passar de primeira. A partir daí, viu o atual campeão mundial Shawnacy Barber, do Canadá, errar suas três tentativas na marca e dar adeus. Aliás, viu que dali em diante só restavam mais seis competidores.
Ao tentar passar pelo sarrafo a 5,75m, derrubou na primeira tentativa. Fosse aquele Thiago que sucumbia diante da adversidade, talvez tivesse travado e se despedido. Mas a nova versão do brasileiro tentou o segundo salto pouco depois e, desta vez, passou.