Extermínio de árvores na Avenida Horácio Soares causa indignação e protestos

 

Na manha de ontem (21/06) circulou pelas redes sociais várias postagens com muitos internautas estarrecidos reclamando do corte de mais de uma dezena de árvores na Avenida Horácio Soares, na “Praça da Coruja”, uma das mais arborizadas da cidade.

Quem passava pelo local deparou-se com vários trabalhadores praticamente dizimando as árvores deixando apenas troncos e alguns galhos, praticamente sem folhas.  Pela internet muitas pessoas demonstravam suas preocupações sobre como as plantas em Ourinhos são tratadas e cobravam explicações do setor responsável da prefeitura que cuida desse patrimônio público que são as arvores da cidade.

A reportagem do Contratempo esteve no local e pode constatar o que pode ser chamado de extermínio, em conversa com uma das pessoas que realizavam o corte a informação foi de que um abaixo assinado de moradores do entorno da praça solicitou o corte.

A justificativa seria a grande quantidade de pombos que habitam a praça fazendo ninhos nas árvores e espalhando muitas fezes pelo local. Segundo esse funcionário havia uma autorização de uma secretária municipal, sem especificar qual, para realizar o mutirão de corte das árvores.

A reportagem conversou com Ana Lucia Borges Dias, filha de uma moradora que confirmou existir um pedido dos moradores através de abaixo assinado e um processo protocolado em 2021 na Secretaria de Meio Ambiente (SMA) para analise do problema considerado grave pelos moradores.

Segundo a filha da moradora, a SMA foi até o local e elaborou um relatório favorável o corte das árvores. O motivo seria a sujeira que os pássaros provocam com muitas fezes pelo chão e até mesmo nas casas ao redor deixando um odor muito forte e o risco da transmissão de doenças através do cocô dos pássaros.  “Minha mãe já escorregou e caiu ali, não é só isso o problema, as fezes danificam a pintura dos carros que param aqui. Além do cheiro as próprias árvores são danificadas porque elas ficam branquinhas por conta do das fezes dos pássaros que podem transmitir doenças, justificou.

Porém, de acordo com informações que colhidas junto a várias pessoas que estavam protestando no local, o corte drástico das árvores foi realizado por servidores da Secretaria de Serviços Urbanos, e supostamente, a decisão de cortar as árvores não se baseou em nenhum parecer técnico, com tudo decidido e executado na base do achismo.

Segundo as pessoas ouvidas pela reportagem, à execução do serviço também não tinha orientação de profissional habilitado e a justificativa, considerada absurda, apresentada pelo secretário da pasta Santiago De Lucas Ângelo foi o risco sanitário representado pelos excrementos que os pombos depositam no local. Apesar do alegado risco à saúde, todos os trabalhadores que executavam o serviço estavam sem os equipamentos de segurança (EPI´s) adequados.

“Matar a vaca para eliminar o carrapato”

A presença de pássaros principalmente pombos são comuns é não só em áreas verdes, parques e praças, mas em toda área urbana da cidade, as pombas são aves limpas, amistosas e convivem com os humanos há séculos.

A polêmica sobre o extermínio das árvores da “Praça da Coruja” revela o quanto o setor público municipal que cuida do meio ambiente está despreparado para atuar em situações como essa, em que a prefeitura utiliza medidas agressivas para resolver um problema que supostamente represente “risco sanitário”.

O problema não é exclusivo de Ourinhos, em muitas cidades a proliferação de pombos, especialmente nas regiões centrais, tem sido minimizada com o manejo científico dessas aves, como a possibilidade de transferir os animais para outra região.

Também técnicas de afugentamento e o uso de ração contraceptiva (esterilização química) para reduzir a população de aves e mitigar os impactos negativos ocasionados pela superpopulação da espécie, bem como os riscos a saúde pública.

A higienização e limpeza dos locais onde se encontram os restos fecais também podem minimizar o problema, é de fácil execução e devem ser realizadas com o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI´s), luvas de borracha, botas e máscaras o que não foi utilizado pelos homens que cortaram as árvores e limpavam a praça.

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