Experiência de vida

Muitos dizem que quanto mais idade uma pessoa tem, mais experiente ela é. Seria isso algo real ou somente um velho costume de se pensar? Como diz Mário Sérgio Cortella: “… a experiência não tem a ver com idade, tem a ver com intensividade, e não com extensidade”. Ou seja, repetição de prática não é sinônimo de mais conhecimento.

A melhor forma de se formar um bom médico é colocando-o para trabalhar em um pronto-socorro, já que naquele ambiente ele terá intensas experimentações. Essa intensidade irá proporcionar-lhe mais vivências em termos de prática médica.

Quando um soldado vai à guerra, geralmente ele volta com condecorações, medalhas e até patentes que muitas vezes um militar que não passou pela mesma experiência iria demorar mais de duas décadas para conseguir. Novamente, experiência não significa mais idade.

Um político que está a vinte ou trinta anos exercendo uma atividade, não significa que tem mais experiência que alguém que esteja a cinco anos trabalhando na área. Tudo dependerá da intensidade que os mesmos vivenciaram as suas práticas, como também de suas trajetórias de vida.

Determinado professor que exerceu a trinta anos o magistério não significa que está mais apto a lecionar que um recém graduado. As práticas pedagógicas, como também os conteúdos estão em constante modificação. Qual é a intensificação que obteve aquele ou aquela que sempre repetiram e fizeram da mesma forma, ou que pouco alteraram os seus métodos e modos de pensar as suas ações?

Às vezes uma lição de vida que determinada pessoa levou décadas para entender, outra poderia levar apenas três ou quatro anos. Talvez para alguns possa ser difícil compreender que a condição humana (agonia, medo, inveja, amor, vaidade, sofrimento e etc.) filosoficamente falando, é praticamente a mesma em todo o mundo, mas em contrapartida, esta ideia poderia ser relativamente absorvida por um leitor após dez ou vinte livros sobre o tema.

A final de contas, poderíamos defender que determinado idoso teria mais legitimidade que algum jovem para falar sobre experiência de vida? Se pensarmos na experiência enquanto extensividade (tempo decorrido), o senso comum diria que sim, mas se refletirmos levando em conta a intensividade (sucessão rápida de práticas desafiadoras), provavelmente seria não.

André R. da Silva é licenciado em História, trabalha com Gestão Cultural e adora o Mundo das Artes

 

 

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