A Economia Criativa em Ourinhos

Como já discuti em artigo anterior pelo Contratempo sobre a economia da cultura (https://contratempo.info/colunistas/andre-rodrigues/ourinhos-e-economia-da-cultura/), acredito ser necessário também refletir a respeito da economia criativa. Parecem conceitos próximos, mas existem as suas diferenças. Como será que poderíamos desenvolver Ourinhos de maneira mais criativa?

Segundo Reis (2008), os elementos que marcam as características da economia criativa são: valor agregado da intangibilidade; cadeia de produção, distribuição e consumo organizado em rede; aproximação entre consumidor e produtor; maior protagonismo das micro e pequenas empresas e maior utilização das novas tecnologias da informação.

A economia criativa é um modelo contemporâneo que engloba tanto os elementos da economia da cultura (utilização de ferramentas da economia, aplicadas à cultura), como também da indústria criativa (desenvolvimento de novas patentes, direitos autorais, direitos de cópia e congêneres).

É uma nova forma de se responder às premissas de sustentabilidade, inclusão social, valorização de culturas locais e as suas imaterialidades. A onipresença da criatividade deve servir de alavanca para novos empreendimentos, criação de postos de trabalho e desenvolvimento humano em todas as suas particularidades.

A tecnologia da informação unida à cultura e criatividade é o motor desde modelo econômico. A estruturação em rede de sua cadeia produtiva, distributiva e de consumo nos mostra uma outra possibilidade de valorizar novos agentes e empreendedores nesta tarefa, explorando novos canais de distribuição. Aos invés de se limitar aos grandes conglomerados econômicos, a economia criativa lubrifica e expande os micros, pequenos e médios empresários, irrigando diferentes demandas.

Uma das grandes chaves para se entender esta ideia é o conceito de sustentabilidade. A economia criativa busca equalizar o social, ambiental, econômico e cultural. Nenhum é mais importante que o outro. Tudo é pensado em conjunto, dentro de um sistema que não esgote o individual, nem tampouco o coletivo.

Para exemplificar esta questão podemos citar um software criado por uma tribo indígena no Acre. Os Huni Kuin, como são chamados, criaram um projeto intitulado: “Huni Kuin: os caminhos da jiboia”. O jogo contem cinco fases com temáticas que se remetem à história da tribo. O objetivo do game é difundir a cultura dos mesmos para toda a sociedade brasileira.

A partir do caso aqui mencionado, pode-se visualizar a cultura local, somada à criatividade dos mesmos e da equipe que desenvolveu o programa através das tecnologias da informação, incorporando de forma sustentável e socialmente participativa as potencialidades de uma determinada coletividade em prol dela mesma, da sua região e país. Essas são uma das milhares de possibilidades inerentes ao horizonte de ações da economia criativa que ainda tem muito a se expandir.

Para pensar a Economia Criativa em Ourinhos 

            Antes de mais nada, é imprescindível mencionar que para conhecermos este setor em nossa cidade é preciso muita dedicação, corpo técnico e vontade política, já que precisamos de dados quantitativos e qualitativos a respeito do mesmo. Uma forma de conseguirmos executar este análise é através de parcerias com as universidades e faculdades locais, que já sinalizaram interesse (UNESP).

Como a força motriz da Economia Criativa é a própria criatividade, que se trabalhada pode gerar recursos materiais e imateriais para as suas comunidades, não há motivos para a deixarmos de lado. A produção de patentes (copyright) é um dos seus grandes objetivos. Em Ourinhos já estamos percebendo o crescimento do setor de serviços principalmente na área da alimentação. Sintoma disso é a grande variedade de restaurantes que abriram, somado ao crescimento dos carrinhos de comida. Uma estratégia para impulsioná-los seria através da criação de uma incubadora para fomentar os produtores locais.

Para pensarmos, há o caso da Dona Onça, uma marca de cerveja produzida por um munícipe ourinhense que precisa ir até a cidade de Presidente Prudente para confeccionar as suas bebidas. Acredito que se o poder público, juntamente a iniciativa privada e o SEBRAE fizessem uma parceria, poderíamos alavancar empreendedores em nossa cidade, fazendo-os fabricar aqui mesmo, sem precisar ir para outras localidades, fator que ampliaria a arrecadação de tributos, geraria emprego e atrairia novas iniciativas para a municipalidade.

Outra área que poderia ser mais aproveitada esta ligada à produção de softwares (FATEC e Estácio de Sá), que junto à inovação de processos industriais (SENAI, FIO e Estácio de Sá) poderia trazer muitos frutos para o nosso município. Como já debatido neste artigo, a economia criativa não se limita aos setores mais tradicionais da cultura (artes plásticas, música, dança, teatro e etc.), mas vai muito além deles. A Prefeitura Municipal de Ourinhos, através da Secretaria Municipal de Cultura já começou a se atentar para essas demandas. Exemplo disso é a criação do evento Festa na Mesa, que este ano teve a sua segunda edição.

Há uma sinalização de que uma Cooperativa de Músicos está surgindo na cidade, mais um elemento que nos faz olhar com mais atenção para a criatividade. Se todas essas áreas aqui mencionadas e outras mais forem analisadas (Arquitetura e Urbanismo, Comunicações e congêneres), estudadas, quantificadas e positivadas através da criação de políticas públicas (Plano Municipal de Cultura, Fundo Municipal de Cultura e Conselho Municipal de Cultura) uma nova Ourinhos poderá surgir: mais sustentável, inclusiva, criativa e inovadora. Vamos fazer?

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André R. da Silva é historiador, trabalha com gestão cultural e adora o Mundo das Artes

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