Pela revogação imediata do novo ensino médio – Por Luiz Horta

Em 22 de março, à Apeoesp foi às ruas e realizou um grande ato na Avenida Paulista em São Paulo, assim como fizeram milhares de estudantes e trabalhadores da educação uma semana antes, no dia 15,  para protestar contra a reforma do Ensino Médio, imposto pelo governo Temer e implantado no governo anterior, bem como exigir do governo atual de Luiz Inácio Lula da Silva  a revogação imediata da Medida Provisória 746/16 que possibilitou a imposição desse Novo Ensino Médio (NEM) que, já implantado nos estados, provou que “NEM prepara nossos alunos para os vestibulares” e também, “NEM prepara-os para o mundo do trabalho”.

Ainda neste mês de março, nos dias 17, 18 e 19, a CNTE – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação – realizou sua 4ª Plenária Intercongressual  em Brasília, que reuniu mais de mil trabalhadores em educação de todo o País, em que estivemos presente na delegação da Apeoesp – Sindicato dos Professores de São Paulo, e a pauta principal, nas plenárias que ocorreram, foi a necessidade da revogação imediata desse imposto NEM e da BNCC (Base Nacional Comum Curricular) que, ao contrário do que desejavam os educadores, alunos e pais, empobreceu ainda mais o currículo escolar.

A CNTE aprovou em suas resoluções uma campanha nacional permanente pela revogação do  NEM e da BNCC, bem como manter pressões junto ao MEC – Ministério da Educação e seu ministro Camilo Santana– para que escutem e atendam o clamor da comunidade escolar. É consenso de todos que esse ensino médio vigente afeta gravemente a formação de nossos estudantes e precariza o trabalho dos nossos educadores, que são obrigados a lecionarem disciplinas absurdas e totalmente fora de suas formações, além de introduzir nas escolas as figuras dos “notório saber”, sem formação didática/pedagógica e sem conhecimento mínimo da psicologia da educação tão necessária para as relações de ensino/aprendizagem.

Em nosso estado, São Paulo, o ex-ministro da educação de Temer, Rossieli Soares, assumiu a secretaria da Educação na gestão de João Dória (2019-2022), e a implantação e o desastre do NEM ocorreu antes dos demais estados da federação e, hoje, nossos alunos dos terceiros anos do Ensino Médio público sofrem as consequências nefastas dessa reforma e muitos encontram-se totalmente despreparados para conseguirem ingressar em uma de nossas Universidades Públicas ou mesmo nos cursos mais disputados das privadas.

A redução drásticas das aulas de disciplinas fundamentais como Português e matemática e a redução ou mesmo exclusão, nos terceiro anos, de disciplinas como História, Geografia, Filosofia, Sociologia, Física, Biologia, Artes em favor dos chamados “itinerários formativos” que, segundo publicação da Folha de São Paulo de 17/03, no País, apresentam 1.526 novas disciplinas como:  “O que rola por ai”, “Quitutes da nossa Terra”, “Educação Financeira – Torne-se um milionário”, RPG – Conquistadores do Mundo”,  demostra muito bem os objetivos dessa reforma: retirar a formação crítica e integral dos estudantes das escolas públicas, oferecendo uma educação rasa e sem conteúdo que dificultará ou mesmo impedirá, que no futuro, prossigam em seus estudos, deixando apenas “as portas abertas” ao trabalho precarizado, temporário, de mão de obra barata e descartável.

Dificultando ou mesmo impedindo o acesso as Universidades aos filhos e filhas da classe trabalhadora, esses espaços retornam a ser locais privilegiados destinados aos filhos das elites dominantes e, mesmo com a manutenção das políticas de cotas aos estudantes das escolas públicas as dificuldades de permanências, dos que se atreverem a ingressarem nelas, seriam enormes pela educação rasa recebida na educação básica através desse currículo excludente.

Desde sua implantação, os verdadeiros defensores da educação pública, denunciavam que estava claro que essa “contra” reforma era orientada e servia apenas aos interesses das elites do empresariado e do capital. Permitindo a participação, na educação básica pública, de grupos privados nos itinerários formativos, principalmente nos denominados Novotec (Novo Ensino Médio Técnico) e nas disciplinas em EaD (Ensino a Distância), entre muitas outras brechas deixadas na legislação imposta, permite que parte substancial do nosso orçamento público possa ser transferido para esses gananciosos e descomprometidos grupos privados.

Nossa sociedade civil organizada precisa se unir aos professores, pais e alunos nessa mobilização pela revogação imediata desse absurdo. Os estragos já causados são grandes, mas teremos ainda três bimestres, até o final do ano letivo em nossas escolas para, retornando as grades curriculares, existentes antes da reforma, e com a carga horária apropriada disponibilizada para as disciplinas necessárias aos nossos estudantes, poderemos minimizar os estragos causados pelos dois últimos governos na educação.

Sabemos e defendemos que são necessárias e urgente reformas em toda a educação básica, mas essa deve ser realizada e construída ouvindo os atores que estão nela inseridos: educadores, pais, alunos e universidades e não submetendo-nos aos interesses do capital e do empresariado. Manter esse NEM ou tentar reformá-lo não resolverá ou minimizará os problemas e o desmonte imposto na formação intelectual de nossos jovens e adolescentes.

A Educação Básica pede Socorro. Nos ajudem, mobilizem-se, pressionem o governo federal, ministros, governadores, deputados e senadores. Não é só o futuro de nossos jovens e adolescentes que corre perigo, mas o de toda a sociedade brasileira.

#RevogaJáNEM

Luís Horta

Apeoesp Sindicato dos Professores

Subsede de Ourinhos